6 de julho de 2008

Reflectindo sobre os Ecomuseus no processo de Educação ao Longo da Vida e na Sociedade do Conhecimento…

A sociedade actual, à qual me apraz designar por sociedade dos conhecimentos, é marcada por factores sociais como a globalização, a evolução das estruturas familiares, o aumento da esperança média de vida e o impacto tecnológico que, oferecendo vantagens, apresentam-se como desafios para as localidades e as suas comunidades. Acredita-se pois, que a aquisição contínua de conhecimentos e competências e a participação activa na sociedade são fundamentais para se acompanhar a evolução social que se processa a um ritmo alucinante. A participação activa dos cidadãos e das comunidades, assente no desenvolvimento humano e local, torna-se, desta forma, imprescindível. Essa mesma participação social e cívica é cada vez mais entendida como empowerment, ou seja, como a efectivação do direito das pessoas e comunidades a terem uma palavra substancial e real nas decisões que dizem respeito às suas vidas e ao seu contexto social.
Neste sentido, entende-se que para que esta participação se efective, é imprescindível que as pessoas detenham conhecimentos que representam o sustentáculo do próprio desenvolvimento humano e social. A Educação e Formação ao Longo da Vida (E.F.L.V.) considera a pessoa enquanto um ser em contínua aprendizagem, reconhecendo que as aprendizagens, mais do que uma preparação para a vida, são parte integrante da própria vida, ocorrendo desde a nascença até à morte. O conceito de E.F.L.V. deve ser encarado como uma construção contínua da pessoa, dos seus valores, dos seus saberes, aptidões e da sua capacidade de discernir e agir. A Educação ao Longo da Vida é sustentada por quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver em grupos e aprender a ser. Com efeito, a Educação ao Longo da Vida conduz ao conceito de sociedade dos conhecimentos onde todas as ocasiões podem ser usadas para aprender e desenvolver potencialidades, em qualquer lugar e a qualquer hora, em qualquer idade.
É neste sentido que os Ecomuseus deverão dirigir a sua acção, considerando a aprendizagem como um processo de construção contínua da pessoa, não restringindo a sua acção a uma faixa etária mas antes, criando condições para que esses espaços permitam um encontro de várias gerações com sede de conhecimentos e de aprendizagens. Encontra-se neste âmbito, a necessidade de consciencializar as comunidades para o património existente nas suas localidades, fazendo-as reflectir na importância do mesmo para si e para as gerações vindouras. Interessa, pois sensibilizar as comunidades para a importância do património, desenvolvendo o gosto pela descoberta da sua história, do seu passado e das suas raízes. Destaca-se a necessidade de mudar mentalidades, de alterar o modo de sentir e pensar o património, estimulando a curiosidade, desenvolvendo o sentido de pertença como forma de promover a participação das comunidades, levando-as a visitar e contactar com o património, assim como a preservar os seus usos, costumes e os seus saberes, valorizando os saberes e as experiências das comunidades.
Neste sentido, acredita-se que no processo de aprendizagem, os Ecomuseus em parceria com os vários agentes de socialização, no contexto formal, não formal e informal, terão um papel importantíssimo no desenvolvimento do gosto pelo património, pelos valores culturais, pelos saberes, motivando à participação de todos na descoberta das suas origens, descobrindo a sua história e desenvolvendo o sentido de pertença permitindo encarar o património como um tesouro e uma herança a preservar e a descobrir, numa busca constante novos saberes. Num outro prisma, deverão promover a partilha de saberes, a reprodução e revitalização de usos e costumes como forma de reavivar estas tradições locais, constituindo uma herança cultural para as gerações presentes e vindouras.
Efectivamente, é essencial que os espaços museológicos sejam atractivos, dinâmicos e acessíveis a todos, para que toda a comunidade tenha o direito de usufruir e de participar neles. Os Ecomuseus deverão ser espaços para partilhar, aprender, conhecer, reviver, descobrir, olhar, sentir, pensar, reflectir e participar na preservação do património local. Entende-se que deverá consistir num lugar de encontro connosco, com a nossa história e a nossa existência, numa comunhão entre o passado, o presente e o futuro dos locais e das suas gentes.

Joana Ferreira

3 de julho de 2008

O contributo dos Ecomuseus para a Sociedade do Conhecimento e na Educação e Formação ao Longo da Vida

Actualmente, assistimos ao surgimento do conceito da Sociedade do Conhecimento, da Informação e até da Aprendizagem. A Sociedade do Conhecimento, deve-se ao processo de aquisição do conhecimento e estende-se por toda a vida, nunca termina e afecta não só o mundo do trabalho, como também a cidadania, a vida familiar, as novas gerações para viver criticamente a vida cívica, social e produtiva.
A Sociedade de Aprendizagem além de atentar-se para a transformação de informação em conhecimento, tem como premissa a educação continuada, ou seja, a transformação deve ocorrer num estado permanente como um meio para adquirir a autonomia. Neste sentido, entendemos a Sociedade da Aprendizagem como aquela que busca e experimenta práticas informativas, com o intuito de garantir o seu acesso e manipulação, gerando conhecimento, possibilitando a construção de cidadãos.
Perante isto, é muito importante referir o papel da educação na sociedade actual, em que não se cinge apenas aquela educação tradicional ministrada nas escolas e para as crianças. Hoje em dia, podemos entender a educação apenas como um privilégio ou um direito, ela constitui uma necessidade para todas as pessoas, mais jovens ou menos jovens, que têm que enfrentar a mudança, a um ritmo cada vez mais acelerado, na família, no emprego, na comunidade. Assim sendo, a “Aprendizagem ao Longo da Vida”, tem-se tornado a principal estrutura para a reforma educacional num grande número de países industrializados e desenvolvidos.
Desta forma, em 2000, a Comunidade Europeia, no “Memorando da Aprendizagem ao Longo da Vida”, definiu esta da seguinte forma, “… todas as actividades de aprendizagem que são empreendidas durante toda a vida, com os objectivos de melhorar o conhecimento, as capacidades e as competências, dentro de uma perspectiva social, cívica, social e/ou relacionada com o emprego…”.
Neste contexto de Aprendizagem ao Longo da Vida, pode-se referir o papel dos Museus, mais propriamente dos Ecomuseus. Na verdade, um Ecomuseu prolonga e reforça as diversas formas de actividade museológica, dando-lhe um “toque” das tradições locais em que o mesmo está inserido.
Desta forma, cabe ao Ecomuseu tentar cativar o seu público através de exposições, espectáculos, concertos que vão de encontro com as necessidades e interesses dos seus visitantes.
Actualmente vivemos num stress quotidiano, em que as pessoas vivem as suas vidas numa rotina, constante, neste sentido, era uma mais valia para os museus tentarem promover pontos de interesse para os seus visitantes, assim como o prolongamento dos horários para o fim – de – semana, e também para actividades nocturnas.
É essencial o Ecomuseu cativar o seu público, não pode apenas dedicar-se a adultos com elevadas qualificações, devem destinar-se a qualquer tipo de público e de faixa etária, desde as crianças à terceira idade.
Neste sentido, seria interessante para promover o Ecomuseu a criação de parcerias para com as instituições e associações em que este está inserido. Desta forma, seria importante divulgar as actividades realizadas nestas instituições e também uma forma de motivar as pessoas para visitarem os Ecomuseus e participar de uma forma activa nas actividades desenvolvidas no mesmo.
Pode-se concluir que perante a sociedade actual os ecomuseus têm um papel muito importante para divulgar a cultura e as tradições das regiões em que estão inseridos, assim como serem vistos como espaços educativos e ao mesmo tempo de formação ao longo da vida…

Sónia Fernandes 4º ano ASE

Bibliografia:

Comissão das Comunidades Europeias (2000). Memorando sobre a aprendizagem ao longo da vida. Bruxelas: CCE

PIRES, A. L. O. (2005). Educação e formação ao longo da vida: análise crítica dos sistemas e dispositivos de reconhecimento e validação de aprendizagens e de competências. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

2 de julho de 2008

Ecomuseus como estratégia de educação e intervenção comunitária

Os novos Museus têm uma importância acrescida no seio das comunidades. A sua nova organização e postura no território levam a que, tal como já foi indicado, desempenhem novos papéis que anteriormente não faziam parte das suas áreas de actuação ou estratégias de actuação.
Abordando a relação Ecomuseu – Comunidade e tendo sempre em atenção a função social, pode-se dizer que estes ou os Museus Locais, têm um importante peso na intervenção e educação comunitária. Tal situação deve-se em primeiro lugar, ao facto de, como diz Varine, citado por Soares (2006), “(…) o Novo Museu [dar ênfase à] comunidade, em vez dos visitantes. (…)” (Varine, 1985, citado por Soares, 2006, p. 7), tal como aconteceu durante muitos séculos e, em segundo lugar, porque estes espaços museológicos seguem ideologias denominadas de “museologia da libertação”, que visam ajudar as comunidades a encontrarem-se a elas próprias e a descobrirem forças e meios para viver e actuar como agentes do seu próprio desenvolvimento e futuro (Varine, 1985, citado por Soares, 2006, p. 7).
Esta procura de meios e forças que impulsionem o seu desenvolvimento, aparece muitas vezes quando a comunidade se conhece melhor a si própria e identifica o que tem de único e que pode ser útil ao seu desenvolvimento – identidade local.
Partindo deste ponto e segundo os princípios dos Ecomuseus, cabe a estes desenvolver um trabalho em conjunto com a comunidade local, onde esta será a protagonista da construção de um espaço museológico que está inteiramente voltado para a sua cultura. Neste trabalho pretender-se-á que a comunidade, em conjunto com os técnicos do Ecomuseu, identifique todos os aspectos que fizeram e fazem parte da sua história, enquanto comunidade, e que seleccionem estratégias que permitam mostrar a todos os que visitam as riquezas da localidade.
Esta realidade exige um novo papel aos museólogos profissionais. As funções destes passam agora por fornecer aos membros das comunidades instrumentos e materiais de trabalho, que lhes permitam participar em todo o processo de recolha, preservação, pesquisa e difusão do seu património local. Estes técnicos são, no fundo, incentivadores ao serviço das necessidades da comunidade que têm por objectivo tornar a comunidade independente e capaz de conduzir o processo que iniciou com o apoio deles. (Soares, 2006)
Bibliografia:
Soares, B. C. B. (2006). Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia. Revista electrónica nova museologia. Retirado em Janeiro de 2008 do site: http://www.unirio.br/jovemmuseologia/documentos/2/resumobruno.htm

O Ecomuseu no processo de Educação ao Longo da Vida e na Sociedade do Conhecimento

A importância atribuída hoje em dia à educação ultrapassa em muito as paredes das escolas e as idades que tradicionalmente lhe são reservadas. Esta situação teve origem com o aumento da escolaridade obrigatória, a procura por parte dos cidadãos em aumentar os seus graus de conhecimentos, as novas exigências do mundo de trabalho, assim como, o aumento da competitividade nesta área. Este panorama levou a que a relação Escola-Museu fosse reforçada.
Sagués, citada por José Mendes, refere que “(…) até ao principio dos anos setenta [ do século XX] o termo educação era universalmente confundido, a nível popular, com escolarização. Quer dizer, a educação estava ligada a um sistema vinculado à idade, ao sistema educativo formal, que se estendia desde o primeiro ano do ensino básico até ao último do curso universitário. Desta forma, o nível de educação de uma pessoa dependia dos títulos obtidos em estabelecimentos de educação […] Só as escolas podiam educar, isto é, apenas elas podiam satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem das pessoas; isto podia conseguir-se durante o período escolar e para sempre; e, por último quem não conseguisse uma boa educação escolar era, por consequência, um “não educado”, um ignorante (…)” ( Sagués, 1999, Mendes, 2003, p. 7).
Porém, tal como foi dito, esta realidade descrita por Sagués mudou, o que faz com que instituições como Museus, bibliotecas, arquivos, teatros e associações, assumam uma importância acrescida. O crescimento da importância da Educação ao Longo da Vida fez com que os Museus começassem a prestar atenção a novos públicos: adultos em idade activa e pessoas livres de compromisso profissionais. (Mendes, 2003)
Segundo o estudo de uma revista inglesa 70% dos visitantes dos Museus são adultos, sozinhos ou acompanhados por pessoas da mesma idade ou menores. No entanto, os Museus ainda não apostam a 100% em programas educativos para estes públicos. Mendes sugere que se comecem a organizar mais frequentemente exposições sobre temas ligados a determinadas profissões, pois isso tratará um publico motivado e interessado em aprender algo mais sobre a sua actividade profissional. No entanto este público adulto exige alguns cuidados como, por exemplo, a flexibilidade de horários dos Museus em período pós-laboral.
Outra questão que se coloca aos Museus em relação aos públicos adultos é o aumento do tempo de lazer. A redução do horário semanal de trabalho tem permitido aos Museus programar nos seus espaços actividades que eram impensáveis à anos atrás: espectáculos musicais, teatros, conferências, entre outras, muitas vezes em horários nocturnos.
Um outro público adulto que agora começa a ter lugar na nossa sociedade é o sénior. O aumento da esperança média de vida e a diminuição da idade da reforma leva a que a chamada Terceira Idade, seja um período de tempo tão longo como o tempo dedicado à vida activa. Apesar de ser um dos públicos com mais competências, devido à experiência de vida, existem ainda uma série de temas que estes não conhecem ou não dominam. Por exemplo, as novas tecnologias são uma constante na nova sociedade e aqueles que não souberem, minimamente, lidar com elas podem ter algumas dificuldades a nível social. Cabe nesta situação, aos Museus que se propõem como instituições ao serviço da comunidade, desenvolver estratégias para, sozinhos ou em parceria com outras instituições, desenvolverem condições para que este público possa continuar a aprender.
Porém este público pode também contribuir para a função educativa dos Museus. Isto porque têm competências que muitas vezes interessam partilhar com os públicos mais novos.
Estando a sociedade a tornar-se num espaço competitivo, onde aqueles que mais têm e procuram competências são os que melhor sobrevivem nela, torna-se essencial à função educativa dos Museus desenvolver estratégias na área da formação. Isto para que, cada vez mais, os espaços museológicos sejam capazes de proporcionar momentos de educação não formal com qualidade a todos aqueles que os procuram, assim como, espaços de formação em que os conhecimento adquiridos neles são reconhecidos pelas restantes instituições.
Bibliografia:
Mendes, J. A. (2003). Educação e museus: novas correntes. Retirado em Janeiro de 2008 do site: http://www.conimbriga.pt/conimbriga/Conimbriga/2003/7/1058873700/conferencia.pdf

18 de junho de 2008

Projecto do Parque Patrimonial do Mondego

O que é um ecomuseu?

Um Ecomuseu é um espaço museológico espalhado pelo território, junto dos principais recursos patrimoniais locais que procura conservar e valorizar.
Este espaço tem como principal objectivo promover o desenvolvimento do território e das populações locais, para isso, os seus órgãos constituintes procuram estimular a comunidade local a envolver-se e a participar activamente nas actividades desenvolvidas.
Segundo António Nabais, “(…) os Ecomuseus são instituições geradoras de riqueza, na medida em que reabilitam as actividades tradicionais e os sítios históricos, promovem a criatividade, redescobrem os valores naturais e culturais valorizando-os em benefício das gentes locais(…)”. (Nabais, 1993. p. 47)