2 de julho de 2008

Ecomuseus como estratégia de educação e intervenção comunitária

Os novos Museus têm uma importância acrescida no seio das comunidades. A sua nova organização e postura no território levam a que, tal como já foi indicado, desempenhem novos papéis que anteriormente não faziam parte das suas áreas de actuação ou estratégias de actuação.
Abordando a relação Ecomuseu – Comunidade e tendo sempre em atenção a função social, pode-se dizer que estes ou os Museus Locais, têm um importante peso na intervenção e educação comunitária. Tal situação deve-se em primeiro lugar, ao facto de, como diz Varine, citado por Soares (2006), “(…) o Novo Museu [dar ênfase à] comunidade, em vez dos visitantes. (…)” (Varine, 1985, citado por Soares, 2006, p. 7), tal como aconteceu durante muitos séculos e, em segundo lugar, porque estes espaços museológicos seguem ideologias denominadas de “museologia da libertação”, que visam ajudar as comunidades a encontrarem-se a elas próprias e a descobrirem forças e meios para viver e actuar como agentes do seu próprio desenvolvimento e futuro (Varine, 1985, citado por Soares, 2006, p. 7).
Esta procura de meios e forças que impulsionem o seu desenvolvimento, aparece muitas vezes quando a comunidade se conhece melhor a si própria e identifica o que tem de único e que pode ser útil ao seu desenvolvimento – identidade local.
Partindo deste ponto e segundo os princípios dos Ecomuseus, cabe a estes desenvolver um trabalho em conjunto com a comunidade local, onde esta será a protagonista da construção de um espaço museológico que está inteiramente voltado para a sua cultura. Neste trabalho pretender-se-á que a comunidade, em conjunto com os técnicos do Ecomuseu, identifique todos os aspectos que fizeram e fazem parte da sua história, enquanto comunidade, e que seleccionem estratégias que permitam mostrar a todos os que visitam as riquezas da localidade.
Esta realidade exige um novo papel aos museólogos profissionais. As funções destes passam agora por fornecer aos membros das comunidades instrumentos e materiais de trabalho, que lhes permitam participar em todo o processo de recolha, preservação, pesquisa e difusão do seu património local. Estes técnicos são, no fundo, incentivadores ao serviço das necessidades da comunidade que têm por objectivo tornar a comunidade independente e capaz de conduzir o processo que iniciou com o apoio deles. (Soares, 2006)
Bibliografia:
Soares, B. C. B. (2006). Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia. Revista electrónica nova museologia. Retirado em Janeiro de 2008 do site: http://www.unirio.br/jovemmuseologia/documentos/2/resumobruno.htm

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